quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

The challenge is on the content, stupid!

Bem, bem. Lá vamos nós.
Nessa era digital, fala-se muito de distribuição e de migração para conteúdos de outras plataformas, e de novos e revolucionários dispositivos que hão de salvar/condenar essa ou aquela mídia.
Nisso temos o iPad, que vem para abrir um monte de discussões sobre isso e sobre aquilo, e o que ando lendo me deixa cada vez mais certo de que embora seja um produto lindo, tio Steve estava certo e errado: "ninguém mais lê". O que me causa uma estranheza, já que é uma afirmação profunda, oras, eu leio, e você também, ó sagaz acompanhante das minhas ruminações mentais. A questão é saber, o que é que ninguém mais lê? Os clássicos? Duvido muito, já que esses são uma coisa para quem quer, e gosta de se desafiar em longas e deliciosas tardes com um livro no colo. Essa não é uma tarefa que o kindle, ou o reader da sony (eu não sei o nome) ou o iPad vão conseguir reverter massivamente. Não agrada a massa hoje em dia, ponto.
Mas esses são os livros, eles levam uma vantagem considerável contra seus tão vorazes e barulhentos parentes da área de publishing. Os periódicos.
Aqui a gente encaixa tudo que se conhece como revista e jornal. São esses sim, que falam, gritam, esperneiam para todos que querem, e que não querem ouvir. A área editorial está em crise.
Uau! Crise! desde quando mesmo? Nossa! qual a causa raiz? Tem alguém se preocupando em encontrar isso?
Ironia a parte, sim, é uma área em crise. Porém as causas são profundas e do jeito que estão, não podem, e não serão resolvidas com um estalar de dedos. Daqui para frente, o texto pode ficar não linear, eu aviso, mas vamos lá.
Web: A grande rede é o que mudou o jogo do publishing, ela tornou todos os dados muito acessíveis a qualquer um que tenha paciência de fazer pesquisa no google, o que nivelou para cima o nível geral dos leitores, prova máxima disso é a tão maravilhosa seção de comentários depois de matérias, onde os internet trolls estão lá para esmagar qualquer erro que possa ser encontrado em uma matéria. O que coloca como paradigma duas coisas para qualquer um que queira publicar algo.
1- O conteúdo tem que ser original, não um recorte de alguma fonte que em alguns minutos está em todos os portais, só levemente reescrito.
2- Conteúdo original e de qualidade, pode ser cobrado sim! E material que nada mais é que propaganda travestida de jornalismo, pode e deve ser dada de graça as massas. Em essência, é como permitir fazer o download de uma revista digital, vamos dar como exemplo sei lá, uma revista de pescaria, para ficar beeeem fora do escopo de publicações de tecnologia. Imagine que você possa fazer o download dessa revista no seu aplicativo digital, não estamos falando de plataforma aqui, só de baixar a versão grátis da revista. Ela é só propaganda essencialmente, certo? Então os custos estão pagos pelos anunciantes! Tem público que só quer saber disso, é natural. E em um modelo de distribuição digital então, a curva de custo cai drasticamente, já que você não perde tiragem. Porém, tem quem queira ler reportagens, e esses vão sim pagar, mas eles tem que ter a certeza de que existe conteúdo e que esse mesmo se diferencia da propaganda.

E é aí que mora o desafio do jornalismo em geral.
Qualidade
Qualidade
Qualidade
É o mantra.
Porque o problema não é não ter público, isso tem aos montes.
Mas tornar o anunciante seu primeiro público. Pagar a operação, para pagar bons profissionais, para fazer a sua operação girar. Desafio para os pequenos, e incrível como os grandes se mostram capazes de perder o bonde andando.
Porque depender dos leitores para pagar suas contas, e querer que eles não tenham voz, é a maior roubada que existe. O leitor tem que depender da sua informação, e com a web nos dedos dele, isso não está nem um pouco perto de parecer que ele não tem para onde correr.